Notícias
05/10/2010
Pelos OLHOS de uma criança
A oftalmopediatria permite
conhecer o desenvolvimento da
visão e prevenir possíveis distúrbios
Uma boa visão não é algo que simplesmente acontece. O cérebro da criança precisa aprender a usar os olhos, do mesmo modo como aprende a usar as pernas para andar. Quanto mais tempo um problema visual permanece não diagnosticado ou tratado, mais o cérebro da criança aprende a se adaptar ao problema.
A visão é o sentido mais utilizado entre os cinco que possuímos. Na verdade, 80% de todo o aprendizado é feito através da visão. Durante a infância existem etapas importantes que marcam o desenvolvimento visual.
“O olho de um recém-nascido chega 75% do tamanho de um adulto, mas o sistema visual em si ainda leva algum tempo para se desenvolver. Na primeira semana de vida, os bebês não enxergam muitos detalhes, conseguem ver com clareza somente a 30 ou 40 cm de distância, e apenas em branco, preto e tonalidades de cinza. Já na primeira semana após o nascimento, começam a distinguir tons mais fortes de laranja, vermelho, amarelo e verde. A capacidade de enxergar o azul e o violeta vem um pouco mais tarde, devido ao comprimento de onda dessas cores”, explica a médica oftalmologista Priscila Wittmann Camacho.
Os olhos dos bebês também não são muito sensíveis a luz no primeiro mês de vida. A quantidade de iluminação necessária para uma criança de um mês notar que a luz esta presente é cerca de 50 vezes mais forte do que para um adulto.
A maioria das crianças possui olhos nos mais variados tons de azul ao nascimento, devido à falta de pigmento da iris. Durante o primeiro ano de vida a cor vai mudando, geralmente escurecendo, até atingir a cor permanente. Mas, segundo Dra. Priscila, a cor dos olhos pode continuar mudando de tom por muitos anos sendo considerado um fenômeno normal.
Um breve exame ocular é realizado no nascimento para a detecção de algumas doenças congênitas, como a catarata. “Apesar de serem raras, são potencialmente muito graves e devem ser tratadas. Um colírio também é instilado logo após o nascimento para prevenção de infecções oculares causadas por bactérias presentes no canal do parto”, esclarece a médica oftalmologista. >>
Por volta de 6 a 8 semanas de vida, os bebês começam a fixar o olhar e a seguir movimentos. Nessa idade pode ser observado um “desalinhamento” ocasional dos olhos, isto é, às vezes um olho pode virar para dentro ou para fora enquanto o outro olha para frente. Isso é normal, conforme explica a profissional apenas, por volta dos 4 meses de idade é que os olhos devem estar sempre alinhados, iniciando assim o desenvolvimento da visão de profundidade.
A partir dos 6 meses a acuidade visual melhora, sendo bem similar a de um adulto. A visão das cores fica mais acurada, a habilidade motora geral e ocular aumenta levando a uma maior coordenação “mão - olho”. “Indicamos que aos 6 meses de idade deve ser realizada a primeira consulta oftalmológica. Na ocasião avaliamos a saúde dos olhos do bebê, presença de grau de óculos, habilidade dos movimentos oculares, bem como investigamos qualquer alteração que possa interferir no desenvolvimento visual. Se não houver nenhum contratempo, o próximo exame devera ser realizado aos 3 anos de idade e novamente na idade pré-escolar”, ressalta Dra. Priscila.
Os principais distúrbios oculares que podem ocorrer em crianças são:
Retinopatia da Prematuridade: crescimento anormal de tecido fibroso e vasos na retina do recém-nascido. Pode levar a cicatrizes no fundo do olho e, em graus mais avançados, a cegueira. Todo bebê prematuro pode apresentar essa doença, especialmente os de baixo peso e os que foram submetidos ao oxigênio.
Catarata Congênita: opacificação do cristalino (lente dentro do olho) que aparece logo ao nascimento. Requer tratamento imediato, pois pode ocasionar perda grave de visão.
Ambliopia (olho preguiçoso): perda ou falta de visão em um olho geralmente causada por grande diferença de refração entre os olhos. Na maioria dos casos requer tampão na tentativa de fortalecer o olho fraco.
Estrabismo (mau alinhamento dos olhos): existem várias causas que levam ao desalinhamento ocular, tais como problemas nos músculos do(s) olho(s) afetado(s). Pode ocasionar ambliopia. O tratamento deve ser realizado precocemente para que a visão em ambos os olhos possa se desenvolver normalmente.
Vícios de Refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo): assim como qualquer adulto, as crianças também podem apresentar perda de visão por falta de lentes corretivas. O uso de óculos pode ser iniciado tão cedo quanto 6 meses de idade.
Cefaleia (dores de cabeça): fadiga ocular e cefaleia, principalmente ao fim do dia ou após o período escolar podem aparecer na presença de algum grau de refração não corrigido.
Conjuntivite Alérgica: muito comum, em especial em crianças que já possuem algum tipo de alergia. Causa desde vermelhidão ocular até lacrimejamento e prurido. Tratamento geralmente é realizado pelo uso de colírios.
Uma vez que as crianças geralmente não reclamam sobre sua visão ou sobre seus olhos, deve-se ficar atento a possíveis problemas. É importante seguir o calendário recomendado para o exame oftalmológico. Detecção precoce e tratamento adequado fornecem uma melhor oportunidade para correção dos problemas visuais.
Crianças e computadores são
praticamente inseparáveis nos
dias de hoje. A boa notícia
é que estudos têm mostrado
que o uso do computador pode
aumentar a capacidade de leitura
e o armazenamento de informação.
Para minimizar o impacto negativo,
as crianças devem estar sentadas
numa posição postural “neutra”,
e a cada 20 minutos devem
retirar seus olhos do computador
e olhar por no mínimo 10 segundos
a um objeto situado a mais
de 6 metros de distância.
Fonte: Priscila Wittmann Camacho
médica oftalmologista
conhecer o desenvolvimento da
visão e prevenir possíveis distúrbios
Uma boa visão não é algo que simplesmente acontece. O cérebro da criança precisa aprender a usar os olhos, do mesmo modo como aprende a usar as pernas para andar. Quanto mais tempo um problema visual permanece não diagnosticado ou tratado, mais o cérebro da criança aprende a se adaptar ao problema.
A visão é o sentido mais utilizado entre os cinco que possuímos. Na verdade, 80% de todo o aprendizado é feito através da visão. Durante a infância existem etapas importantes que marcam o desenvolvimento visual.
“O olho de um recém-nascido chega 75% do tamanho de um adulto, mas o sistema visual em si ainda leva algum tempo para se desenvolver. Na primeira semana de vida, os bebês não enxergam muitos detalhes, conseguem ver com clareza somente a 30 ou 40 cm de distância, e apenas em branco, preto e tonalidades de cinza. Já na primeira semana após o nascimento, começam a distinguir tons mais fortes de laranja, vermelho, amarelo e verde. A capacidade de enxergar o azul e o violeta vem um pouco mais tarde, devido ao comprimento de onda dessas cores”, explica a médica oftalmologista Priscila Wittmann Camacho.
Os olhos dos bebês também não são muito sensíveis a luz no primeiro mês de vida. A quantidade de iluminação necessária para uma criança de um mês notar que a luz esta presente é cerca de 50 vezes mais forte do que para um adulto.
A maioria das crianças possui olhos nos mais variados tons de azul ao nascimento, devido à falta de pigmento da iris. Durante o primeiro ano de vida a cor vai mudando, geralmente escurecendo, até atingir a cor permanente. Mas, segundo Dra. Priscila, a cor dos olhos pode continuar mudando de tom por muitos anos sendo considerado um fenômeno normal.
Um breve exame ocular é realizado no nascimento para a detecção de algumas doenças congênitas, como a catarata. “Apesar de serem raras, são potencialmente muito graves e devem ser tratadas. Um colírio também é instilado logo após o nascimento para prevenção de infecções oculares causadas por bactérias presentes no canal do parto”, esclarece a médica oftalmologista. >>
Por volta de 6 a 8 semanas de vida, os bebês começam a fixar o olhar e a seguir movimentos. Nessa idade pode ser observado um “desalinhamento” ocasional dos olhos, isto é, às vezes um olho pode virar para dentro ou para fora enquanto o outro olha para frente. Isso é normal, conforme explica a profissional apenas, por volta dos 4 meses de idade é que os olhos devem estar sempre alinhados, iniciando assim o desenvolvimento da visão de profundidade.
A partir dos 6 meses a acuidade visual melhora, sendo bem similar a de um adulto. A visão das cores fica mais acurada, a habilidade motora geral e ocular aumenta levando a uma maior coordenação “mão - olho”. “Indicamos que aos 6 meses de idade deve ser realizada a primeira consulta oftalmológica. Na ocasião avaliamos a saúde dos olhos do bebê, presença de grau de óculos, habilidade dos movimentos oculares, bem como investigamos qualquer alteração que possa interferir no desenvolvimento visual. Se não houver nenhum contratempo, o próximo exame devera ser realizado aos 3 anos de idade e novamente na idade pré-escolar”, ressalta Dra. Priscila.
Os principais distúrbios oculares que podem ocorrer em crianças são:
Retinopatia da Prematuridade: crescimento anormal de tecido fibroso e vasos na retina do recém-nascido. Pode levar a cicatrizes no fundo do olho e, em graus mais avançados, a cegueira. Todo bebê prematuro pode apresentar essa doença, especialmente os de baixo peso e os que foram submetidos ao oxigênio.
Catarata Congênita: opacificação do cristalino (lente dentro do olho) que aparece logo ao nascimento. Requer tratamento imediato, pois pode ocasionar perda grave de visão.
Ambliopia (olho preguiçoso): perda ou falta de visão em um olho geralmente causada por grande diferença de refração entre os olhos. Na maioria dos casos requer tampão na tentativa de fortalecer o olho fraco.
Estrabismo (mau alinhamento dos olhos): existem várias causas que levam ao desalinhamento ocular, tais como problemas nos músculos do(s) olho(s) afetado(s). Pode ocasionar ambliopia. O tratamento deve ser realizado precocemente para que a visão em ambos os olhos possa se desenvolver normalmente.
Vícios de Refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo): assim como qualquer adulto, as crianças também podem apresentar perda de visão por falta de lentes corretivas. O uso de óculos pode ser iniciado tão cedo quanto 6 meses de idade.
Cefaleia (dores de cabeça): fadiga ocular e cefaleia, principalmente ao fim do dia ou após o período escolar podem aparecer na presença de algum grau de refração não corrigido.
Conjuntivite Alérgica: muito comum, em especial em crianças que já possuem algum tipo de alergia. Causa desde vermelhidão ocular até lacrimejamento e prurido. Tratamento geralmente é realizado pelo uso de colírios.
Uma vez que as crianças geralmente não reclamam sobre sua visão ou sobre seus olhos, deve-se ficar atento a possíveis problemas. É importante seguir o calendário recomendado para o exame oftalmológico. Detecção precoce e tratamento adequado fornecem uma melhor oportunidade para correção dos problemas visuais.
Crianças e computadores são
praticamente inseparáveis nos
dias de hoje. A boa notícia
é que estudos têm mostrado
que o uso do computador pode
aumentar a capacidade de leitura
e o armazenamento de informação.
Para minimizar o impacto negativo,
as crianças devem estar sentadas
numa posição postural “neutra”,
e a cada 20 minutos devem
retirar seus olhos do computador
e olhar por no mínimo 10 segundos
a um objeto situado a mais
de 6 metros de distância.
Fonte: Priscila Wittmann Camacho
médica oftalmologista
Notícia relacionada à revista: Edição Saúde out/2010



