Notícias
13/02/2012
Fazenda Paulista
Sustentabilidade e tecnologia na produção de leite
Em um cantinho afastado do Centro de Rio do Sul/SC, existe um lugar em que a natureza se revela em meio a muita calmaria. Lá, existe uma fazenda idealizada por dois ex-bancários, destinada à produção de leite e cabeças de gado corte. A Fazenda Paulista já existe há mais de 30 anos e possui 700 hectares. Vamos conhecer como aquele local distante da cidade se tornou um dos maiores produtores de leite de Santa Catarina.
O casal, Sandra Boteguim e Álvaro Schlemper, são categóricos em dizer que a fazenda é uma opção de vida. Os dois, bancários aposentados, trabalham com a propriedade por gosto. A compra do primeiro lote de terra foi realizada em 1981, quando o casal ainda não estava junto. “O Álvaro sempre diz que foi por causa de um chefe que ele teve. Há muitos anos, ele dizia que ia parar com o trabalho no banco, porque o chefe era muito chato, que queria ter uma fazenda”, revela Sandra entre risos.
Porém, o gosto pela vida do campo começou bem antes. “Quando eu tinha 10 ou 12 anos, visitava os meus avós, que moravam em uma fazenda. Não tem como não se apaixonar por esse estilo de vida. E eu sempre me perguntava 'onde é que eu vou pendurar as chuteiras? Onde é meu porto seguro?' E foi aqui em Santa Catarina que encontrei o meu espaço”, conta Álvaro.
Na época, Sandra e Álvaro ainda não tinham nenhum tipo de convívio que não fosse no banco. Ele mudou-se para outra cidade e ela continuou no mesmo banco, em São Paulo. Porém, Sandra não queria mais continuar na profissão e lembrou que seu ex-colega de trabalho já havia parado. Resolveu então entrar em contato e ver como era a adaptação da vida de negócios para uma vida mais pacata.
Foi aí que os dois, já divorciados do primeiro casamento, se reencontraram. “Trabalhamos juntos durantes anos, mas nos distanciamos. Quando veio a vontade de parar com o serviço bancário nos reencontramos e decidimos ficar juntos” conta Sandra sobre a união de 13 anos.
“Em vez da Sandra ir para Fernando de Noronha, como era seu sonho, permaneceu em Santa Catarina”, relata Álvaro. Juntos, o casal desenvolveu o patrimônio que carinhosamente é apelidado de Triângulo das Bermudas. A menção se deu pela fazenda estar presente em três cidades diferentes. “A fazenda possui terras em Rio do Sul, Laurentino e Presidente Getúlio se tornando o nosso Triângulo das Bermudas”, revela o casal.
Quando perguntados se cuidar da propriedade dá trabalho, Sandra é categórica em dizer que sim, mas que nem por isso é menos confortável que a vida na cidade. “Todos acham que morar em uma fazenda é ter uma vida calma, mas tem que se trabalhar duro. Há muitas coisas a serem feitas e isso é todo o dia. Apesar disso, é folclore essa história que quem vive na fazenda vive mal. Temos todo o conforto das modernidades da cidade”, revela ela.
MANEJO EFICIENTE DO GADO
Existem na fazenda aproximadamente 600 cabeças de gado. Dessas, 250 são leiteiras, das quais 100 em lactação, e 350 para o corte. As leiteiras são da raça holandesa, famosa por possuir um porte maior e produzir muito leite. O gado de corte é resultante da cruza das raças nelore, charolês e limousin. “Por exemplo, o nelore é mais rústico e o gado de origem europeia, como charolês e limousin engordam mais e com isso há maior produtividade no rebanho”, comenta Álvaro.
A visão de carinho com a fazenda não faz com que os proprietários esqueçam dos desafios do empreendimento. Mesmo tratando bem os animais, trabalham de forma profissional. “Nosso esquema é industrial. A vaca tem uma missão. Quanto chegar aos 14 ou 17 meses ela fica prenha, com dois anos e pouco ela dá cria, gera leite por um determinado período, descansa 60 dias e volta a ficar prenha”, explica Álvaro sobre o ciclo de vida do animal.
Para as mimosas o tratamento é rigoroso. “Todo dia elas fazem a mesma coisa: vão para a mesma baia, comem o alimento e nos sedem o leite”, lembra Sandra. O manejo é um dos mais modernos, conhecido como Free Stall. “Elas ficam todas no mesmo galpão, onde têm as baias em que dormem e o corredor em que elas fazem as necessidades. Este corredor é limpo a cada 3 horas, através de um sistema, criado por um riossulense, para fazer isso mecanicamente. Desta forma, os detritos são enviados para a vala e da vala para o depósito que é esvaziado diariamente”, relata Álvaro.
As holandesas são todas puras de origem. Isso garante a qualidade leiteira da vaca que possui certificado e árvore genealógica. A alimentação é balanceada e programada pelo veterinário responsável. Na dieta, uma vaca consome o volumoso, composto por fibras como o silo, a grama e o feno, além da ração. A média geral das bovinas é de 27 litros de leite por dia. “Mas existem vacas de maior produção, com 50 litros, por exemplo. Essas que possuem uma maior produtividade são ordenhadas três vezes por dia, enquanto as outras, apenas duas vezes”, explica Sandra.
Na fazenda são produzidos diariamente cerca de 3,5 mil litros de leite. Da ordenha mecânica o líquido vai direto para o refrigerador, sem contato humano. Antes da ordenha, os ubres são desinfetados, e depois é passado um produto para inibir a proliferação de germes. “Temos uma ótima contagem de amostras bacterianas. O acompanhamento das vacas é permanente, através de amostragens para prevenir que qualquer infecção ou doença seja transmitida pelo leite”, revela Álvaro.
Todos os resíduos produzidos na fazenda são reaproveitados de forma sustentável. “Estamos plantando hoje praticamente 150 hectares de milho para o consumo das vacas. Esta plantação é estercada com os dejetos recolhidos dos próprios animais”, lembra Álvaro. Além disso, na mesma terra que se planta o milho no verão, no inverno se planta aveia para a produção do feno. “Onde não dá pra plantar, colocamos pinos, eucaliptos, além da reserva legal. O restante fica para pastagem”, comenta Sandra.
PLANOS PARA IMPLANTAR
UMA POUSADA
Para este ano, a meta é aumentar a produção de leite. “Queremos chegar a 7 mil litros. Para isso, temos bezerras próprias. Afinal, já conhecemos as matrizes”, conta Álvaro.
Na sede da fazenda os planos são outros. “A próxima ideia é transformar parte da sede em pousada”, relata Sandra, entusiasmada. Esta é a forma encontrada de oportunizar aqueles que não possuem uma fazenda de aproveitaram as vantagens que ela oferece. A proposta é construir 8 chalés, para deixar a situação mais pessoal. Passeios a cavalo também estão nos planos, mas apenas para relaxamento, afinal, para o trabalho apenas motos e triciclos são utilizados.
Com tanto trabalho sendo realizado e tudo o que o futuro reserva, o casal não disfarça a satisfação de morarem no interior. “Na fazenda, somos todos no estado natural. Não dissimulamos mais os nossos sentimentos e aprendemos muito com isso”, finaliza Sandra.
www.fazendapaulista.com.br
Em um cantinho afastado do Centro de Rio do Sul/SC, existe um lugar em que a natureza se revela em meio a muita calmaria. Lá, existe uma fazenda idealizada por dois ex-bancários, destinada à produção de leite e cabeças de gado corte. A Fazenda Paulista já existe há mais de 30 anos e possui 700 hectares. Vamos conhecer como aquele local distante da cidade se tornou um dos maiores produtores de leite de Santa Catarina.
O casal, Sandra Boteguim e Álvaro Schlemper, são categóricos em dizer que a fazenda é uma opção de vida. Os dois, bancários aposentados, trabalham com a propriedade por gosto. A compra do primeiro lote de terra foi realizada em 1981, quando o casal ainda não estava junto. “O Álvaro sempre diz que foi por causa de um chefe que ele teve. Há muitos anos, ele dizia que ia parar com o trabalho no banco, porque o chefe era muito chato, que queria ter uma fazenda”, revela Sandra entre risos.
Porém, o gosto pela vida do campo começou bem antes. “Quando eu tinha 10 ou 12 anos, visitava os meus avós, que moravam em uma fazenda. Não tem como não se apaixonar por esse estilo de vida. E eu sempre me perguntava 'onde é que eu vou pendurar as chuteiras? Onde é meu porto seguro?' E foi aqui em Santa Catarina que encontrei o meu espaço”, conta Álvaro.
Na época, Sandra e Álvaro ainda não tinham nenhum tipo de convívio que não fosse no banco. Ele mudou-se para outra cidade e ela continuou no mesmo banco, em São Paulo. Porém, Sandra não queria mais continuar na profissão e lembrou que seu ex-colega de trabalho já havia parado. Resolveu então entrar em contato e ver como era a adaptação da vida de negócios para uma vida mais pacata.
Foi aí que os dois, já divorciados do primeiro casamento, se reencontraram. “Trabalhamos juntos durantes anos, mas nos distanciamos. Quando veio a vontade de parar com o serviço bancário nos reencontramos e decidimos ficar juntos” conta Sandra sobre a união de 13 anos.
“Em vez da Sandra ir para Fernando de Noronha, como era seu sonho, permaneceu em Santa Catarina”, relata Álvaro. Juntos, o casal desenvolveu o patrimônio que carinhosamente é apelidado de Triângulo das Bermudas. A menção se deu pela fazenda estar presente em três cidades diferentes. “A fazenda possui terras em Rio do Sul, Laurentino e Presidente Getúlio se tornando o nosso Triângulo das Bermudas”, revela o casal.
Quando perguntados se cuidar da propriedade dá trabalho, Sandra é categórica em dizer que sim, mas que nem por isso é menos confortável que a vida na cidade. “Todos acham que morar em uma fazenda é ter uma vida calma, mas tem que se trabalhar duro. Há muitas coisas a serem feitas e isso é todo o dia. Apesar disso, é folclore essa história que quem vive na fazenda vive mal. Temos todo o conforto das modernidades da cidade”, revela ela.
MANEJO EFICIENTE DO GADO
Existem na fazenda aproximadamente 600 cabeças de gado. Dessas, 250 são leiteiras, das quais 100 em lactação, e 350 para o corte. As leiteiras são da raça holandesa, famosa por possuir um porte maior e produzir muito leite. O gado de corte é resultante da cruza das raças nelore, charolês e limousin. “Por exemplo, o nelore é mais rústico e o gado de origem europeia, como charolês e limousin engordam mais e com isso há maior produtividade no rebanho”, comenta Álvaro.
A visão de carinho com a fazenda não faz com que os proprietários esqueçam dos desafios do empreendimento. Mesmo tratando bem os animais, trabalham de forma profissional. “Nosso esquema é industrial. A vaca tem uma missão. Quanto chegar aos 14 ou 17 meses ela fica prenha, com dois anos e pouco ela dá cria, gera leite por um determinado período, descansa 60 dias e volta a ficar prenha”, explica Álvaro sobre o ciclo de vida do animal.
Para as mimosas o tratamento é rigoroso. “Todo dia elas fazem a mesma coisa: vão para a mesma baia, comem o alimento e nos sedem o leite”, lembra Sandra. O manejo é um dos mais modernos, conhecido como Free Stall. “Elas ficam todas no mesmo galpão, onde têm as baias em que dormem e o corredor em que elas fazem as necessidades. Este corredor é limpo a cada 3 horas, através de um sistema, criado por um riossulense, para fazer isso mecanicamente. Desta forma, os detritos são enviados para a vala e da vala para o depósito que é esvaziado diariamente”, relata Álvaro.
As holandesas são todas puras de origem. Isso garante a qualidade leiteira da vaca que possui certificado e árvore genealógica. A alimentação é balanceada e programada pelo veterinário responsável. Na dieta, uma vaca consome o volumoso, composto por fibras como o silo, a grama e o feno, além da ração. A média geral das bovinas é de 27 litros de leite por dia. “Mas existem vacas de maior produção, com 50 litros, por exemplo. Essas que possuem uma maior produtividade são ordenhadas três vezes por dia, enquanto as outras, apenas duas vezes”, explica Sandra.
Na fazenda são produzidos diariamente cerca de 3,5 mil litros de leite. Da ordenha mecânica o líquido vai direto para o refrigerador, sem contato humano. Antes da ordenha, os ubres são desinfetados, e depois é passado um produto para inibir a proliferação de germes. “Temos uma ótima contagem de amostras bacterianas. O acompanhamento das vacas é permanente, através de amostragens para prevenir que qualquer infecção ou doença seja transmitida pelo leite”, revela Álvaro.
Todos os resíduos produzidos na fazenda são reaproveitados de forma sustentável. “Estamos plantando hoje praticamente 150 hectares de milho para o consumo das vacas. Esta plantação é estercada com os dejetos recolhidos dos próprios animais”, lembra Álvaro. Além disso, na mesma terra que se planta o milho no verão, no inverno se planta aveia para a produção do feno. “Onde não dá pra plantar, colocamos pinos, eucaliptos, além da reserva legal. O restante fica para pastagem”, comenta Sandra.
PLANOS PARA IMPLANTAR
UMA POUSADA
Para este ano, a meta é aumentar a produção de leite. “Queremos chegar a 7 mil litros. Para isso, temos bezerras próprias. Afinal, já conhecemos as matrizes”, conta Álvaro.
Na sede da fazenda os planos são outros. “A próxima ideia é transformar parte da sede em pousada”, relata Sandra, entusiasmada. Esta é a forma encontrada de oportunizar aqueles que não possuem uma fazenda de aproveitaram as vantagens que ela oferece. A proposta é construir 8 chalés, para deixar a situação mais pessoal. Passeios a cavalo também estão nos planos, mas apenas para relaxamento, afinal, para o trabalho apenas motos e triciclos são utilizados.
Com tanto trabalho sendo realizado e tudo o que o futuro reserva, o casal não disfarça a satisfação de morarem no interior. “Na fazenda, somos todos no estado natural. Não dissimulamos mais os nossos sentimentos e aprendemos muito com isso”, finaliza Sandra.
www.fazendapaulista.com.br
Notícia relacionada à revista: /



